Ciro Gomes contesta resultado da eleição no Ceará, critica STF e anuncia reclamação à Justiça.

Ex-candidato ao Governo do Ceará afirma que “fomos roubados” e questiona decisão que autorizou mais de 900 inserções de propaganda de Elmano na reta final da campanha

Dois dias após ser derrotado por Elmano de Freitas (PT) na disputa pelo Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB) publicou um manifesto nas redes sociais em que contestou o resultado das eleições e anunciou que sua campanha pretende apresentar uma reclamação à Justiça.

Intitulado “Manifesto ao Povo Cearense”, o documento foi divulgado na terça-feira (6) e reúne críticas ao governo estadual, ao PT, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à condução da propaganda eleitoral nos últimos dias antes da votação. Ciro recebeu 2.498.890 votos, correspondentes a 46,22% dos votos válidos, enquanto Elmano foi reeleito com 2.875.573 votos, ou 53,19%, uma diferença de 376.682 votos.

No manifesto, Ciro afirmou que os votos recebidos não foram suficientes para derrotar o que classificou como uma “poderosa e desonesta máquina de corrupção, fraude e manipulação judicial”. O ex-candidato também declarou que, embora já tenha vencido e perdido eleições anteriormente, pela primeira vez teve o sentimento de que “fomos roubados”.

Críticas à gestão estadual

Ciro utilizou parte do documento para reapresentar críticas que marcaram sua campanha eleitoral. Entre os pontos citados estão pobreza, extrema pobreza, violência, alfabetização, situação fiscal do Estado e fila de regulação na saúde.

Segundo os números apresentados por Ciro, cerca de 4,2 milhões de cearenses sobreviveriam com menos de R$ 600 por mês, enquanto aproximadamente 890 mil estariam em situação de extrema pobreza, com renda inferior a R$ 260 mensais.

O candidato também afirmou que o Ceará registrou 12.233 assassinatos em quatro anos, criticou supostos retrocessos na alfabetização em municípios do interior e mencionou uma fila de aproximadamente 63 mil pessoas na regulação da saúde. Os números foram apresentados por Ciro em seu manifesto como argumentos para sustentar as críticas à administração estadual.

Ciro critica decisão de Dias Toffoli

Um dos principais pontos de contestação foi direcionado ao ministro Dias Toffoli, do STF. Ciro afirmou que o magistrado foi responsável pela “fraude final” contra sua candidatura.

Segundo o ex-candidato, Toffoli teria autorizado mais de 900 inserções de propaganda de Elmano, com participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos candidatos ao Senado apoiados pelo governador, durante a sexta-feira (2) e o sábado (3), dias que antecederam a votação.

Ciro questionou o impacto dessas inserções sobre o resultado eleitoral e afirmou que a decisão teria beneficiado diretamente a campanha petista. A reclamação anunciada pela campanha deverá questionar justamente esse episódio.

A decisão, segundo as informações divulgadas pela imprensa, estava relacionada à autorização de inserções como forma de compensação por tempo de propaganda que, segundo a campanha de Elmano, não havia sido veiculado anteriormente.

“Ele e sua organização criminosa tomaram as eleições”

Em outro trecho do manifesto, Ciro afirmou que não cumprimentou Elmano pela vitória e declarou que, em sua avaliação, o governador não teria vencido legitimamente a disputa.

“Ele não ganhou, ele e sua organização criminosa tomaram as eleições!”, escreveu Ciro.

O ex-candidato, porém, não apresentou no manifesto provas que comprovem fraude eleitoral. A campanha de Elmano foi procurada pela imprensa e, segundo veículos que acompanharam o caso, optou por não comentar algumas das acusações apresentadas por Ciro.

Reclamação à Justiça

Ciro afirmou ainda que, após consultar o setor jurídico de sua campanha, concordou com a apresentação de uma reclamação à Justiça. Apesar de anunciar a iniciativa, o ex-candidato fez duras críticas ao Judiciário brasileiro e ao STF.

Ao final do manifesto, Ciro agradeceu aos eleitores que votaram nele e voltou a criticar a influência política do PT no Ceará. Ele afirmou que continuará lutando e defendeu que seus apoiadores permaneçam atentos aos rumos políticos do Estado.

A contestação anunciada ocorre após a reeleição de Elmano de Freitas no primeiro turno. O governador obteve 53,19% dos votos válidos, contra 46,22% de Ciro Gomes.

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Post Author: Redação

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