A defesa do homem suspeito de envolvimento na morte do vaqueiro Francisco Eudazio Lira Soares, conhecido como Dadá Guedes, de 30 anos, divulgou nota à imprensa nesta quinta-feira (11) contestando informações que circulam sobre a motivação do crime ocorrido durante uma vaquejada em Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará.
Segundo os advogados, a versão de que o episódio teria sido motivado por uma suposta cobrança para divisão de um prêmio conquistado pela vítima não corresponde aos fatos apurados pela defesa. Conforme a nota, o suspeito não participava da disputa relacionada à premiação e, portanto, não teria qualquer interesse financeiro nos valores envolvidos.
De acordo com o relato apresentado pela defesa, o conflito teve início após um comentário informal que teria sido interpretado de maneira equivocada, gerando um desentendimento verbal entre os envolvidos. A nota afirma ainda que, durante a discussão, a vítima teria proferido ofensas pessoais contra o acusado, atingindo sua honra diante de diversas pessoas presentes no evento.
A defesa sustenta que, posteriormente, quando o suspeito já deixava o local da vaquejada, foi abordado pela vítima e por outros dois vaqueiros montados a cavalo. Segundo a versão apresentada, uma terceira pessoa teria alertado os envolvidos para que evitassem se aproximar do acusado devido ao seu estado emocional alterado, mas a aproximação teria continuado.
Ainda conforme a nota, o acusado teria se sentido cercado e intimidado pela ação dos três homens montados, passando a temer por sua integridade física. A defesa afirma que os cavalos foram conduzidos em sua direção de forma ameaçadora e que ele chegou a ser atingido e pisoteado durante a confusão.
Os advogados argumentam que a reação do suspeito ocorreu em um contexto de intenso medo e receio por sua segurança, circunstâncias que, segundo a defesa, deverão ser analisadas pelas autoridades durante a instrução processual.
Na nota, a defesa ressalta que a dinâmica dos fatos e as motivações do caso ainda serão apuradas pela Justiça e considera precipitada qualquer conclusão definitiva neste momento. Também reafirma confiança no Poder Judiciário e destaca que o processo criminal é o espaço adequado para a produção de provas, oitiva de testemunhas e esclarecimento dos fatos, respeitando os princípios da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.
Confira a nota completa
“A defesa do acusado vem a público esclarecer que diversas informações divulgadas por perfis de notícias, redes sociais e outros meios de comunicação acerca dos fatos investigados não correspondem à realidade apurada pela defesa.
Tem sido amplamente divulgada a versão de que o episódio teria ocorrido em razão de uma suposta exigência para divisão de um prêmio obtido pela vítima em uma vaquejada. Contudo, essa narrativa não encontra respaldo nos fatos conhecidos pela defesa.
Segundo a versão apresentada pelo acusado e por testemunhas que presenciaram os acontecimentos, ele sequer participava da disputa relacionada ao prêmio, razão pela qual não teria qualquer interesse ou benefício em eventual divisão dos valores. O que efetivamente ocorreu foi um comentário informal, posteriormente interpretado de forma equivocada, gerando um desentendimento entre os envolvidos.
Ainda de acordo com os relatos colhidos pela defesa, após esse desentendimento verbal, a vítima teria dirigido ofensas pessoais ao acusado, atingindo sua honra e dignidade perante diversas pessoas presentes no local.
Posteriormente, quando o acusado já deixava o evento, a vítima e outros dois vaqueiros teriam se aproximado montados a cavalo. Há informações de que uma terceira pessoa, percebendo o estado emocional alterado do acusado, chegou a advertir os presentes para que evitassem a aproximação naquele momento. Apesar disso, a aproximação teria continuado.
A defesa sustenta que o acusado se viu cercado e intimidado pela investida dos três homens montados, situação que lhe causou intenso temor por sua integridade física. Segundo sua versão, os animais foram conduzidos em sua direção de forma ameaçadora, chegando inclusive a atingi-lo e pisoteá-lo durante a confusão. Sentindo-se ameaçado com a aproximação simultânea de três homens, agiu em contexto de intenso temor e receio por sua integridade física, circunstâncias que serão devidamente analisadas pelas autoridades competentes durante a instrução processual.
É importante destacar que todas as circunstâncias do caso ainda serão objeto de apuração judicial, sendo precipitada qualquer conclusão definitiva acerca da dinâmica dos fatos ou das motivações atribuídas ao ocorrido.
A defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e destaca que o processo criminal é o ambiente adequado para a produção das provas, oitiva das testemunhas e esclarecimento da verdade dos fatos, sempre com observância aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.
Por fim, a defesa repudia a disseminação de informações inverídicas ou distorcidas que possam comprometer a correta compreensão dos acontecimentos e influenciar indevidamente a opinião pública antes da conclusão da investigação e do julgamento”.






