MP denuncia nove suspeitos de integrar esquema de extorsão ligado a casa de apostas associada a facção criminosa em Quixeramobim.

O Ministério Público do Ceará (MPCE), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Quixeramobim, denunciou na última terça-feira (10) nove homens suspeitos de participação em um esquema de extorsão contra cambistas e operadores de casas de apostas no município. O objetivo do grupo, segundo a denúncia, seria obrigar comerciantes locais a operar plataformas de jogos on-line (bets) ligadas a uma organização criminosa que atua na cidade.

Além do crime de extorsão, os denunciados também respondem por associação criminosa e exploração ilegal de jogos de azar. As investigações continuam em andamento para apurar a possível ligação direta dos suspeitos com a facção criminosa.

A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça Bruno Barreto, responsável atualmente pela 2ª Promotoria de Justiça da comarca. De acordo com o Ministério Público, o esquema era estruturado em três núcleos distintos.

O primeiro seria o núcleo de comando, composto pelos sócios da plataforma de apostas. O segundo, denominado núcleo gerencial, ficava responsável por abordar comerciantes e operadores de apostas para que utilizassem o sistema da empresa. Já o núcleo executor atuava intimidando e ameaçando as vítimas que resistiam à adesão ou não seguiam as orientações do grupo.

Segundo o MPCE, a prática criminosa teria ocorrido entre os meses de julho e agosto de 2025. As investigações apontam que o esquema vinha sendo articulado em reuniões realizadas desde julho do ano passado. Um desses encontros teria ocorrido em um restaurante da cidade, onde os investigados discutiram estratégias para expandir a plataforma na região e padronizar métodos de pressão contra operadores locais.

O Ministério Público também solicitou à Justiça a manutenção da prisão preventiva de seis dos nove denunciados, que foram detidos durante a Operação “Jogo Sujo”, deflagrada pela Polícia Civil no dia 5 de fevereiro deste ano.

Durante a operação, os policiais apreenderam veículos de luxo, dinheiro em espécie, armas de fogo, munições e diversos documentos que continuam sendo analisados e utilizados para subsidiar as investigações.

Entre os denunciados estão Luis Eber Dantas Pinheiro, conhecido como “Luiz”, apontado como integrante do núcleo de liderança e considerado o verdadeiro proprietário da plataforma de apostas; Jorge Darllyson Pereira de Morais, o “JD”, indicado como sócio ou coproprietário da empresa; e Antônio Oliveira Silva, conhecido como “Deir”, responsável pelo pagamento das apostas.

Também foram denunciados Francisco de Assis Araújo Filho, o “Júnior”, e Antônio Jairo Sousa Gomes, o “Jairo”, que atuariam nas primeiras abordagens a comerciantes e na intermediação com operadores locais.

Outro investigado é Francisco Gildevan da Silva de Lima, apontado como ponto de apoio do grupo, responsável por angariar apostadores e operar máquinas de recebimento, fortalecendo a atuação da plataforma na cidade.

Já Antônio Manoel Warllem Sousa Rodrigues e Francisco Wanderson Sousa Rodrigues, conhecido como “Andinho”, ambos irmãos, seriam integrantes do núcleo responsável pelas ameaças. Conforme a denúncia, eles intimidavam diretamente cambistas e operadores de apostas, utilizando ameaças de incêndio a estabelecimentos e agressões físicas para garantir o monopólio da plataforma na região em nome da facção criminosa.

O caso segue sob investigação das autoridades.

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Post Author: Redação

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