Polícia Civil alerta para novos golpes cibernéticos em Quixeramobim e orienta população sobre como se proteger.

Falso advogado, falsa central bancária, sextorsão, invasão de contas, golpes em compras pela internet e uso de inteligência artificial estão entre as modalidades que exigem atenção dos moradores.

A Polícia Civil de Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, registrou, nos últimos dias, ocorrências relacionadas a diferentes modalidades de golpes cibernéticos praticados contra moradores do município. Diante do aumento dos casos, o Oficial Investigador de Polícia Civil Renato Cosmo Barbosa fez um alerta à população e apresentou orientações para evitar prejuízos financeiros, exposição de dados pessoais e invasão de contas.

Segundo o investigador, a criminalidade vem passando por profundas transformações à medida que avançam a tecnologia, as redes sociais e os aplicativos de mensagens. Os criminosos têm aperfeiçoado técnicas para explorar não apenas vulnerabilidades tecnológicas, mas também sentimentos como confiança, medo, ansiedade e desconhecimento das vítimas.

Atualmente, segundo Renato, não é necessário que o criminoso tenha contato presencial com a vítima para causar prejuízos. Com acesso à internet, um celular e técnicas de engenharia social, os golpistas conseguem assumir identidades, obter informações pessoais, invadir contas e realizar movimentações financeiras fraudulentas.

Falso advogado

Entre os golpes que vêm sendo utilizados está o chamado golpe do falso advogado. Os criminosos utilizam fotografias, nomes e informações profissionais de advogados reais para entrar em contato com clientes.

Durante a abordagem, afirmam que existem indenizações, precatórios, alvarás judiciais ou outros valores disponíveis para recebimento. Em seguida, solicitam transferências via Pix sob a justificativa de pagamento de taxas, custas processuais ou despesas necessárias para liberar o dinheiro.

A orientação é entrar em contato diretamente com o advogado por um número já conhecido e confirmar a informação antes de realizar qualquer pagamento.

Falso servidor da Justiça

Outra modalidade que exige atenção é o golpe do falso servidor da Justiça. Nesse caso, o criminoso se apresenta como funcionário de tribunal, servidor de cartório ou representante de algum órgão público.

Para convencer a vítima, pode utilizar linguagem formal, números reais de processos e documentos aparentemente legítimos. O objetivo é obter dados pessoais, códigos de confirmação ou induzir a vítima a realizar pagamentos.

A Polícia Civil orienta que qualquer informação seja confirmada diretamente nos canais oficiais do tribunal ou órgão responsável. A existência de dados processuais verdadeiros não significa que a pessoa que fez o contato seja realmente um servidor público.

Falso prêmio e tentativa de obter reconhecimento facial

No golpe do falso prêmio, a vítima recebe uma ligação ou mensagem informando que teria sido contemplada em um sorteio, promoção ou benefício.

Em algumas situações, os criminosos realizam chamadas de vídeo e pedem que a vítima mostre o rosto diante da câmera, alegando que seria necessário confirmar sua identidade para liberar o suposto prêmio.

Segundo a orientação repassada pelo investigador, imagens faciais podem ser utilizadas em tentativas de fraude envolvendo procedimentos de identificação biométrica, especialmente quando combinadas com documentos e outras informações pessoais.

A recomendação é não realizar validações faciais solicitadas por desconhecidos e confirmar diretamente com a empresa responsável se a promoção realmente existe.

Códigos de confirmação e invasão de contas

Outro risco frequente envolve o compartilhamento de códigos de confirmação, senhas e códigos de recuperação.

Os criminosos podem induzir a vítima a fornecer códigos recebidos por SMS ou aplicativos, clicar em links fraudulentos ou instalar programas que permitem acesso indevido ao aparelho.

Em muitos casos, o objetivo é assumir o WhatsApp ou o e-mail da vítima para, posteriormente, aplicar novos golpes contra familiares, amigos e contatos profissionais.

Por isso, a orientação é clara: nunca compartilhe códigos de verificação ou senhas com terceiros.

Também é recomendado manter o sistema operacional atualizado, instalar aplicativos somente de fontes confiáveis, revisar as permissões concedidas aos aplicativos e ativar a verificação em duas etapas sempre que o serviço disponibilizar esse recurso.

Sextorsão

A sextorsão também está entre os crimes que podem provocar graves consequências financeiras e emocionais.

Nessa modalidade, o criminoso ameaça divulgar imagens íntimas, vídeos ou conversas para exigir dinheiro ou outras vantagens. Há casos em que são utilizadas imagens obtidas em redes sociais, montagens ou informações vazadas.

Os criminosos também podem afirmar falsamente que invadiram a câmera ou o celular da vítima, utilizando o medo como mecanismo de pressão.

A recomendação é não ceder automaticamente à chantagem, não enviar novas imagens e preservar todas as evidências, incluindo mensagens, áudios, números de telefone, perfis e comprovantes de pagamento.

A vítima deve procurar a Polícia Civil e denunciar o perfil utilizado para a prática criminosa na plataforma correspondente.

Golpes em compras e vendas pela internet

Nas negociações de veículos, motocicletas e outros bens de maior valor, um dos principais riscos é o chamado golpe do falso intermediário, comum em plataformas de compra e venda, como a OLX.

O criminoso pode copiar um anúncio verdadeiro, apresentar-se como intermediário e criar versões diferentes da negociação para enganar simultaneamente comprador e vendedor.

Em determinadas situações, o comprador transfere o dinheiro para a conta indicada pelo golpista, enquanto o proprietário acredita que recebeu o pagamento e entrega o bem.

Para evitar esse tipo de fraude, comprador e vendedor devem conversar diretamente, confirmar a identidade das partes, conferir os documentos e esclarecer o valor real da negociação.

O pagamento deve ser conferido diretamente na conta do verdadeiro proprietário. Comprovantes, capturas de tela ou mensagens enviadas por terceiros não devem ser considerados suficientes para confirmar uma transação.

Falsa central bancária

Outro golpe que continua fazendo vítimas é o da falsa central bancária.

O criminoso liga para a vítima e informa sobre uma suposta compra suspeita, invasão da conta ou problema de segurança. Em seguida, solicita senhas, códigos de autenticação, instalação de aplicativos ou transferências para uma suposta “conta segura”.

A recomendação é encerrar imediatamente a ligação e procurar o banco por meio do aplicativo oficial, dos contatos disponíveis no cartão ou dos canais institucionais da própria instituição financeira.

Nenhum procedimento deve ser realizado sob pressão de alguém cuja identidade não tenha sido confirmada.

Inteligência artificial aumenta possibilidades de fraude

O avanço da inteligência artificial também passou a ser utilizado por criminosos em fraudes envolvendo clonagem de voz, vídeos manipulados e falsificação de identidade.

Os golpistas podem utilizar áudios e imagens para tentar imitar familiares, amigos ou pessoas conhecidas e, posteriormente, solicitar dinheiro alegando uma situação de emergência.

Nesses casos, a orientação é confirmar a história por outro meio de comunicação. A vítima deve telefonar diretamente para a pessoa ou utilizar uma pergunta ou palavra de segurança previamente combinada com familiares.

Um áudio ou vídeo aparentemente autêntico, portanto, não deve ser considerado prova suficiente da identidade de quem está solicitando dinheiro.

O que fazer depois de cair em um golpe?

Renato Cosmo Barbosa destaca que a rapidez na adoção das medidas de segurança pode ser fundamental.

Em caso de transferência via Pix, a vítima deve procurar imediatamente a instituição financeira pelos canais oficiais, comunicar a fraude e solicitar a análise das providências cabíveis, incluindo eventual devolução por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando aplicável.

Caso uma conta tenha sido invadida, devem ser utilizados os procedimentos oficiais de recuperação, encerradas sessões desconhecidas e alteradas as senhas, preferencialmente a partir de um dispositivo confiável.

Em qualquer situação, é importante preservar as provas e registrar a ocorrência policial, presencialmente ou por meio dos canais eletrônicos oficiais disponíveis no Ceará, conforme a natureza do fato.

Investigador reforça importância da prevenção

Na avaliação do Oficial Investigador, o enfrentamento aos crimes cibernéticos depende de investigação qualificada, inteligência policial, cooperação entre instituições financeiras e plataformas digitais, mas também da educação digital da população.

A repressão aos criminosos é fundamental, mas a prevenção pode impedir que muitas pessoas tenham seus recursos financeiros, dados pessoais ou intimidade comprometidos.

“Desconfie, interrompa o contato, verifique a informação por um canal oficial e somente depois tome qualquer decisão”, orienta o investigador.

Segundo ele, os criminosos aperfeiçoam continuamente suas técnicas e procuram criar situações de urgência para impedir que a vítima tenha tempo de analisar racionalmente a solicitação.

Checklist de prevenção contra golpes cibernéticos

A Polícia Civil reforça as seguintes recomendações:

– Nunca compartilhe códigos de confirmação, senhas ou códigos de recuperação recebidos por SMS, WhatsApp ou e-mail;
– Desconfie de mensagens e ligações que exigem decisões urgentes ou pagamentos imediatos;
– Confirme a identidade de advogados, servidores da Justiça, funcionários de bancos e outras pessoas que entrarem em contato, sempre por canais oficiais;
– Não realize pagamentos antecipados para liberar supostos prêmios, indenizações ou valores judiciais sem confirmar a legitimidade da solicitação;
– Não faça validações faciais a pedido de desconhecidos;
– Evite clicar em links suspeitos ou instalar aplicativos de origem duvidosa;
– Mantenha o celular e os aplicativos atualizados;
– Ative a verificação em duas etapas nas contas que oferecem esse recurso;
– Nunca transfira dinheiro para uma suposta “conta segura” indicada por terceiros;
– Em compras e vendas pela internet, negocie diretamente com comprador ou vendedor, confira os documentos e confirme efetivamente o recebimento do pagamento antes de entregar o bem;
– Proteja seus dados pessoais e evite expor excessivamente sua rotina nas redes sociais;
– Em casos de sextorsão, preserve as provas e não ceda automaticamente à chantagem;
– Se suspeitar de um golpe, interrompa o contato e confirme as informações por outro canal confiável;
– Se realizar uma transferência fraudulenta, comunique imediatamente o banco e solicite as providências cabíveis, incluindo a análise do MED, quando aplicável;
– Registre a ocorrência junto à Polícia Civil e preserve todas as evidências disponíveis.

A principal regra: desconfie, verifique e só depois aja

A Polícia Civil reforça que qualquer pessoa pode ser vítima de um golpe, independentemente de idade, escolaridade ou condição financeira. As técnicas utilizadas pelos criminosos estão cada vez mais sofisticadas e convincentes.

Por isso, informação e atenção são ferramentas importantes de prevenção.

Desconfie. Verifique. Só depois aja.

Em caso de suspeita ou confirmação de fraude, a recomendação é preservar as evidências, procurar as instituições envolvidas e comunicar o fato às autoridades policiais. A denúncia é fundamental para auxiliar nas investigações e na responsabilização dos envolvidos.

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Post Author: Redação

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