Um jovem relatou ter sido abordado, levado para uma área de matagal e espancado por quatro indivíduos, na noite do último domingo (11), em Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará. O caso veio à tona após o pai da vítima procurar uma equipe do RAIO e informar que o filho teria sido agredido por policiais.
Segundo o relato registrado pelos policiais, por volta das 22h, o pai do jovem apresentou inicialmente a versão de que o filho teria sido espancado por uma composição do RAIO. Diante da denúncia, a equipe foi imediatamente ao encontro do rapaz e esclareceu que nenhuma composição da unidade havia realizado qualquer agressão contra ele.
Ainda conforme o registro policial, inicialmente o jovem manteve a versão apresentada ao pai. Posteriormente, porém, teria confessado que foi abordado por dois homens em uma motocicleta, nas proximidades do Curral da Neca, e obrigado a entrar em uma área de matagal.
De acordo com a vítima, outros dois indivíduos chegaram ao local, totalizando quatro envolvidos. Os suspeitos teriam feito uma ligação para um homem apontado como liderança do crime organizado no município, buscando autorização para iniciar as agressões.
A vítima identificou os supostos envolvidos pelas iniciais J.R.L.R., P.S.A.S., conhecido como “C”, e M.W.C.S., vulgo “Coruja”.
Vítima teria sido obrigada a culpar policiais
O jovem relatou ainda que foi agredido com chutes e pauladas, além de ser obrigado a permanecer ajoelhado. Segundo ele, os autores teriam filmado as agressões e o forçado a declarar que havia sido espancado por policiais do RAIO.
A motivação apontada pela vítima estaria relacionada a ciúmes envolvendo a namorada de um dos suspeitos.
Suspeito é localizado e polícia encontra drogas
Após o relato, equipes do RAIO, com apoio da VTR 015, iniciaram diligências para localizar os envolvidos.
O primeiro suspeito, identificado pelas iniciais J.R.L.R., conhecido como “BH”, foi localizado quando chegava à residência, na Rua Francisco Patrício, no bairro Salviano Carlos, conhecido como Pompéia.
Segundo a Polícia Militar, durante a abordagem, o homem teria confessado participação nas agressões e indicado outros envolvidos.
Ainda conforme o relato policial, os agentes perceberam que o suspeito recebia diversas ligações telefônicas. Questionado, ele teria informado que os contatos estariam relacionados à comercialização de drogas, atividade que afirmou exercer.
Os policiais perguntaram se havia material ilícito na residência, e o homem teria admitido a existência de entorpecentes no imóvel. Ele autorizou a entrada da equipe, autorização que, segundo o registro, foi gravada em vídeo.
Durante as buscas, foram encontrados cocaína, maconha, dinheiro e materiais relacionados ao tráfico.
Em um dos quartos, os policiais localizaram um pedaço significativo de cocaína em estado bruto, 18 trouxinhas de cocaína preparadas para comercialização e R$ 334 em espécie.
No quintal, ainda segundo a PM, foi encontrada uma sacola contendo uma balança de precisão, 225 trouxinhas de maconha prontas para venda, embalagens e anotações relacionadas à contabilidade do comércio de entorpecentes.
O suspeito teria informado também que comercializava drogas em sociedade com outro homem, identificado pelas iniciais E.A.L.F., conhecido como “KL”. As equipes realizaram buscas para localizá-lo, mas ele não foi encontrado.
Adolescente de 17 anos também é localizado
Durante a continuidade das diligências relacionadas às agressões, os policiais localizaram um adolescente de 17 anos, identificado pelas iniciais P.S.A.S., em sua residência, no bairro Jardim Norte II.
Segundo a Polícia Militar, o adolescente confessou participação nas agressões e afirmou que a ação teria ocorrido “a mando” de “C”.
O homem conhecido apenas pelo apelido de “C” não foi localizado nem qualificado pelas equipes.
Os policiais apresentaram na Delegacia os aparelhos celulares pertencentes aos dois conduzidos. Os envolvidos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil, onde foram adotados os procedimentos legais cabíveis.
O adolescente foi acompanhado pelo avô durante a apresentação à autoridade policial.
As informações apresentadas nesta reportagem são baseadas no relato policial registrado sobre a ocorrência. A participação e eventual responsabilidade criminal dos envolvidos deverão ser apuradas pela Polícia Civil e submetidas à apreciação da Justiça.







