A Justiça Federal mandou soltar Douglas Queiroz Farache, preso em flagrante na saída de uma agência bancária no bairro Aldeota, em Fortaleza, nessa quarta-feira (30). Douglas passou por audiência de custódia na manhã desta sexta-feira (2).
A reportagem do Diário do Nordeste apurou que o Ministério Público foi a favor do pedido de revogação do flagrante protocolado pelos advogados de defesa, enquanto a Polícia Federal pediu a conversão em prisão preventiva.
Com o homem foram encontradas duas mochilas cheias de dinheiro em espécie divididos em notas de R$ 5 a R$ 100 totalizando R$ 350 mil.
Ao investigado pelo crime de lavagem de dinheiro foram impostas medidas cautelares, como monitoramento por tornozeleira eletrônica e retenção do passaporte.
A defesa de Douglas, que já respondia a processos por estelionato e furto, foi procurada pela reportagem e diz que “as alegações da Polícia Federal não procedem e nega qualquer relação com políticos e campanhas. O dinheiro é absolutamente lícito, tanto de origem como de destino”, disse o advogado Renato Araújo.
“A audiência de custódia ocorreu normalmente e, como a defesa esperava, Douglas foi colocado em liberdade. O Ministério Público e a magistrada entenderam que não havia elementos que justificassem a manutenção da prisão. A defesa sustenta que a conduta atribuída a Douglas não configura atividade ilícita e seguirá demonstrando isso no curso do devido processo legal, com pleno exercício do contraditório e da ampla defesa”, acrescentou, em nota, a defesa.
PERSEGUIÇÃO POLICIAL E PRISÃO
Antes da captura houve perseguição policial. A reportagem do Diário do Nordeste obteve documentos da investigação que indicam que o suspeito tentou fugir após avistar a viatura da PF “por portar vultosa quantia de origem suspeita, causando colisão contra três veículos de terceiros e contra um poste”.
Ainda segundo informações obtidas em documentos obtidos pela reportagem, um relatório de inteligência financeira indicou que a movimentação de quantias expressivas e provisionamento de saques de valores milionários são aparentemente incompatíveis com a capacidade financeira de Douglas e de outro homem investigado.
Mais R$ 750 mil estavam previstos para ser sacados em agências na Aldeota e no Cocó nessa quinta (1º) e nesta sexta-feira (2).
CARRO ADESIVADO
A Polícia investiga uma suposta relação dos saques expressivos nas vésperas da Eleição 2026 às campanhas de dois políticos, candidatos a deputado federal e estadual. Os nomes dos políticos serão preservados nesta matéria porque, segundo a própria PF, ainda não há indicativos de uma relação direta entre eles.
A investigação aponta que não há indício que demonstre, neste momento, “vínculo entre o numerário e campanha eleitoral, sendo necessário o aprofundamento investigativo”.
No veículo de luxo onde o suspeito estava eram transportados aproximadamente R$ 350 mil em espécie.
Foram apreendidos R$ 70 mil em cédulas de 100, R$ 200 mil em cédulas de R$ 50, R$ 52 mil em cédulas de 20, R$ 25 mil em cédulas de R$ 10 e mais R$ 3 mil em cédulas de R$ 5.
O veículo Haval H9 estava adesivado com propagandas de dois candidatos, mas não foi encontrado na posse de Douglas qualquer outro material de campanha eleitoral.
Na versão do investigado, aquele dinheiro era seu e ele trabalha com compra e venda de carros.
No momento da prisão, o suspeito estava em posse de três celulares e em ligação.
“A locução dos fatos, como apresentada, além de sua gravidade intrínseca, revela disposição concreta de subtrair-se à ação estatal ao custo do risco a terceiros, circunstância relevante para a análise do perigo que a liberdade do conduzido representa à aplicação da lei penal”
Para os investigadores, “a atividade informada variou entre autônomo, revendedor de veículos e empresário, mas as instituições reiteradamente classificaram a movimentação como incompatível com a capacidade financeira declarada”.
Fonte: Diário do Nordeste.







