A primeira locomotiva da Transnordestina chegou a Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, nesta sexta-feira (14), em uma viagem simbólica que marcou uma nova etapa da implantação da ferrovia no município. A chegada ocorreu durante as comemorações pelos 237 anos de emancipação política de Quixeramobim.

Apesar do avanço, o trecho ainda não está autorizado para o transporte comercial de cargas. Para que a operação seja liberada, ainda são necessárias a licença de operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para abertura do tráfego.
Atualmente, a ferrovia já opera em fase de testes em um trecho entre Bela Vista do Piauí, no Piauí, e Iguatu, no Ceará. A previsão é de que outros 120 quilômetros de trilhos sejam entregues no Ceará ainda em 2026.
Inspeções e autorizações
A ANTT prevê realizar, ainda em agosto, uma inspeção nos lotes 4 e 5 da ferrovia para verificar as condições de segurança e operação. Caso o trecho seja considerado apto, o processo poderá avançar para análise da diretoria da agência e posterior autorização para o tráfego.
Também há pendências ambientais. A concessionária TLSA solicitou ao Ibama autorização para mais 136,9 quilômetros de ferrovia no Ceará, incluindo os trechos dos lotes 4 a 6 e a ligação entre Quixeramobim e Quixadá. Segundo o órgão ambiental, ainda é necessária a apresentação de documentação técnica para a análise do pedido.
Operação-teste prevista para outubro
Uma operação-teste no trecho de Quixeramobim está prevista para outubro. A informação foi apresentada por Ricardo Azevedo, CEO da Value Global Group, responsável pelo projeto do Porto Seco do Sertão Central.
A atividade experimental será realizada na linha principal da ferrovia e não representa, ainda, o início do transporte comercial de cargas. A TLSA não informou oficialmente um prazo para a realização do teste.
Porto Seco deve ampliar estrutura logística
A chegada da Transnordestina está diretamente ligada ao projeto do Porto Seco do Sertão Central, que será instalado em Quixeramobim e deverá funcionar integrado à ferrovia.
O empreendimento já conta com planejamento para implantação de infraestrutura de energia e contratação de mão de obra. Os primeiros silos destinados ao armazenamento de grãos também já foram encomendados.
O projeto está dividido em três fases. A primeira, prevista entre outubro de 2026 e julho de 2027, inclui a operação-teste e obras relacionadas à linha desviada que deverá conectar o terminal à ferrovia. A estimativa é de aproximadamente 300 empregos durante as obras e outros 130 postos na operação.
A segunda etapa, prevista entre julho de 2027 e outubro de 2028, contempla a operação da linha desviada e a implantação dos silos para armazenamento de grãos destinados à exportação. A expectativa é de cerca de mil empregos diretos e indiretos.
Já a terceira fase, planejada entre outubro de 2028 e dezembro de 2029, prevê a construção de tanques de combustíveis, heliponto, hotel e prédio administrativo, com estimativa de 1,3 mil postos de trabalho.
A área alfandegada, que deverá integrar oficialmente o Porto Seco, está prevista para a segunda fase do empreendimento.
ZPE também está prevista para Quixeramobim
Além do Porto Seco, Quixeramobim também possui planejamento para implantação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), com investimento inicial estimado em R$ 20 milhões.

A expectativa é de que as obras tenham início até o fim de 2026. A estrutura deverá complementar os projetos logísticos e industriais previstos para o município.
A chegada da primeira locomotiva representa, portanto, um avanço físico na implantação da Transnordestina em Quixeramobim, mas o transporte comercial de cargas ainda depende da conclusão das etapas ambientais e regulatórias.
Os próximos passos incluem as inspeções da ANTT, o cumprimento das exigências estabelecidas pelo Ibama e a obtenção das autorizações necessárias para a liberação do tráfego comercial no trecho.







